BHARATA NATYAM

Dança Clássica do Sul da Índia



Entre os oito grandes estilos de dança da Índia, o Bharata Natyam é o mais antigo.

A tradição deste estilo manteve-se no sul da Índia durante longos séculos, preservada por várias gerações de mestres de dança e de bailarinas sagradas que viviam nos templos, as «devadasis». Estas realizavam uma oferenda quotidiana sob a forma de danças rituais, componente primordial do culto hinduísta.


Esta arte milenar continua a ser transmitida às bailarinas actuais, existindo várias escolas. A mais célebre, a de Pandanallur, é também a mais exigente, pois os saltos, as flexões profundas das pernas, as posturas de equilíbrio, os amplos movimentos e deslocamentos, a precisão minuciosa das linhas e a complexidade dos passos requerem não só graça, mas também força e resistência.


É necessário um treino bastante rigoroso e prolongado para se adquirir a técnica indispensável, bem como a linguagem gestual dos «hastas», representação visual dos poemas e dos hinos cantados em sânscrito, em telugu, em tamoul ou em kannada.

Trata-se sempre de composições de grandes poetas, homens santos e místicos, cujas obras são transmitidas de geração em geração desde há séculos. 


A orquestra é dirigida pelo «nattuvanar», ou mestre de dança, que acompanha os passos

da bailarina ao ritmo de uns pequenos címbalos, os «talams», recitando os «shollukattus», ou sílabas rítmicas. No entanto, o principal suporte rítmico é constituído pelo «mridangam», um tambor alongado de duas peles que marca as variações da coreografia.  A orquestra tradicional conta ainda com um cantor ou cantora, uma flauta e uma «vina» –hoje em dia frequentemente substituída por um violino.


Āngikam bhuvanam yasya vācikam sarvavāngmayam /

Āhāryam candratārādi tam numah sātvikam shivam //


Aquele cujo corpo é o Universo

Cuja palavra contém todas as palavras

Cujas jóias são a lua e as estrelas

A ele presto homenagem, oh Shiva, o puro.


Abhinaya Darpana (l, 1)