TARIKAVALLI



Entre 1989 e 1997, Tarikavalli recebeu uma rigorosa formação em Bharata Natyam, no estilo Pandanallur, em Paris, com Shrimati Amala Devi, discípula e parceira de cena de Shri Ram Gopal, ele próprio principal discípulo de Shri Meenakshi Sundaram Pillai.


Este mestre, que é hoje uma figura lendária da dança, foi descendente directo da família dos quatro irmãos Tanjore, que instituíram no séc. XVIII o recital a solo de Bharata Natyam, fixando as regras que ainda hoje constituem a grande referência para os bailarinos deste estilo.


A partir de 1991, paralelamente ao ensino que lhe dispensava, Shrimati Amala Devi confiou também Tarikavalli ao cuidado do mestre Shri U.S. Krishna Rao, igualmente herdeiro da tradição de Pandanallur, e radicado em Bangalore.


Durante as suas longas estadias na Índia, ao longo dos dez anos seguintes, Tarikavalli teve assim a oportunidade de aprender inúmeras composições com este coreógrafo e sua esposa, Shrimati Chandrabhaga Devi.


Actualmente, após o desaparecimento destes dois grandes artistas, este repertório revela-se uma herança preciosa; Tarikavalli sente-se particularmente honrada por ser uma das legatárias das criações dos últimos anos daqueles dois grandes mestres.


Se, por um lado, as composições de Krishna Rao deslumbram pela sua pureza formal própria do estilo de Pandanallur, elas também cativam o espectador pela sua graça, originalidade e criatividade.


Aquando do seu retorno a Paris, orientada pela historiadora e investigadora Shrimati Vasundhara Filliozat, Tarikavalli aprofundou a leitura dos poemas que inspiraram aquelas danças sob um duplo prisma: o linguístico e o histórico.


Entre 2000 e 2005, Tarikavalli trabalhou com Shri Dayalasingham, mestre de dança que dirigiu a sua orquestra como «nattuvanar», durante os seus recitais  em França.


Em Julho de 2011, Tarikavalli inicia uma nova etapa na sua carreira, partindo para Tumkur, perto de Bangalore, a fim de estudar com K.R. Raman, discípulo também ele de U.S. Krishna Rao e herdeiro da tradição de Pandanallur. A sua colaboração com este mestre de dança constitui uma nova oportunidade de enriquecimento do seu estilo.


Actualmente, Tarikavalli está radicada em Lisboa, onde prossegue a sua carreira de bailarina, dedicando-se igualmente ao ensino. Ministra ateliers para crianças e adultos em Portugal e noutros países da Europa no âmbito de encontros interculturais. Em Lisboa, tem vindo a trabalhar com o Grupo Ekvat, Companhia de Danças Tradicionais Goesas (Casa de Goa), iniciando-o no estilo clássico da Índia. Forma, igualmente, um grupo regular de alunas no Centro de Danças de Oeiras (Algés) e na Casa de Goa (Lisboa).

As suas principais criações foram produzidas sob o Alto Patrocínio da Embaixada da Índia. Tarikavalli tem dado inumeráveis recitais na Europa e na Índia:


1997 «Padasraya», Auditorium des Halles – Paris, França

2000 «Bhava Devate», Salle Pablo Neruda – Bobigny, França 

2002 «Rangamala», Salle Adyar – Paris, França

2004 «Lasya Ramana», Salle Pablo Neruda – Bobigny, França

2004 «Viagem no Dorso de um Elefante», Escolas primarias – Bobigny, França

2004 «Krishnalila», Salle Adyar – Paris, França

2006 «Namaskar», Lapa Palace Hotel – Lisboa, Portugal

2007 «Suryanamaskar», Teatro Académico Gil Vicente – Coimbra, Portugal 

2008 «Trimurti», Salle P. Neruda – Bobigny, França e C. C. de Belém – Lisboa, Portugal

2009 «Trimurti», Auditório do Museu do Oriente – Lisboa, Portugal 

2010 «Nrityaanjali» Centro Cultural da Malaposta – Odivelas, Portugal

2011 «Moksha» Centro Cultural da Malaposta – Odivelas, Portugal

2011 «Trimurti», Auditório  Bharatia Vidya Bhavan – Bangalore, Índia


A realizadora Marie-Hélène Rudel produziu uma curta-metragem sobre o seu percurso como bailarina, o qual foi seleccionado para o festival de Yokohama (Japão) em Junho de 1997: Tous les chemins mènent à Aubervilliers.